Jan Wiener e Arnost Lustig são amigos com um passado em comum: sobreviveram ao holocausto na Tchecolosváquia ocupada pelos nazistas. Cinquenta anos depois, eles visitam os locais onde estiveram antes de fugir para os Estados Unidos. O interessante é que além de recriar essa trajetória dolorosa, o filme mostra também a delicada relação de amizade de duas pessoas tão diferentes. Vale combo por apresentar um tema já bem explorado de uma maneira diferente.
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Três Irmãos de Sangue (2006)
A história dos irmãos Betinho, Henfil e Chico Mário foi marcada pela hemofilia, pela AIDS, mas, acima de tudo, pelo amor ao Brasil. A origem da família em Minas Gerais, a militância junto a organizações católicas e o papel político de cada um nos diferentes campos dos quais fizeram parte conduzem a emocionante narrativa. Vale combo pelo orgulho de se sentir brasileiro.
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The Godfather Family: A Look Inside (1990)
Um bom making of de uma das grandes trilogias do cinema norte-americano. É surpreendente ver como a condução de Coppola e a escalação do elenco foram desacreditadas pela Paramount durante a produção do filme, o que quase levou o diretor a desistir do projeto. Vale pipoca pela ausência de Marlon Brando e porque outros aspectos fundamentais da obra também ficaram de fora.
O Que Há, Tigresa? (1966)
Espiões japoneses estão à procura da receita de salada de ovos perfeita.
É pra rir ou pra chorar?
# Filme B japonês
# Piadas internas
# Sessão da tarde: confusão e muitas trapalhadas
A salvação
É o primeiro trabalho de Woody Allen como diretor: ele comprou os direitos de uma produção nipônica e a dublou com atores norte-americanos. Sem dúvida uma saída criativa para o início de sua carreira.
Há quem goste
Leia a crítica (em inglês) de Typonaut2000, no IMDb.
Medos Privados em Lugares Públicos (2006)
Seis pessoas têm suas vidas entrelaçadas durante o inverno parisiense.
É pra rir ou pra chorar?
# Esteticamente desagradável
# Transições de cena detestáveis
# Roteiro previsível e sonolento
A salvação
Os dramas particulares são interessantes, apesar de mal explorados. Há algumas tomadas de câmera excelentes.
Há quem goste
Leia a crítica de Érico Borgo, no Omelete.
O Silêncio de Lorna (2008)*
Garota albanesa casa-se com viciado em heroína para conseguir cidadania belga que, posteriormente, deve ser repassada a um criminoso russo em outro matrimônio.
É pra rir ou pra chorar?
# Edição pecaminosa
# Roteiro fraco e confuso
# Falta de conexão do espectador com as personagens
A salvação
O filme retrata uma das deficiências sociais da Europa, que é justamente a questão da imigração. Além disso, algumas cenas são realmente bonitas e intensas, principalmente as entre Lorna e Claudy.
Há quem goste
Leia a crítica de FC Leite Filho, no Café na Política.
*Este filme foi assistido a pedido de Carolina Lopes na sessão Sua programação.
Uma filmagem de quatro semanas e uma direção intuitiva deram o tom ao marco da Nouvelle Vague francesa. Com direção de Jean-Luc Godard e roteiro de François Truffaut, “Acossado” (1959) é o início de uma revolução no modo de fazer cinema.
A história é sobre Michel Poiccard, um jovem golpista que acaba assassinando um policial. Ele quer fugir para a Itália com a Patrícia Franchisi, sua namorada norte-americana.
O filme de Godard é justamente a transição entre o cinema clássico da década de 1950 e as inovações e experimentações da década de 1960. A película é a concretização das discussões sobre teoria cinematográfica publicadas na revista Cahiers du Cinéma, que deram origem ao movimento Nouvelle Vague.
Do antigo, há a atmosfera noir e outras referências explícitas aos métodos hollywoodianos como, por exemplo, o ícone Humphrey Bogart. Do novo, há a câmera na mão – posteriormente complementada com “uma ideia na cabeça”, por Glauber Rocha – e a narrativa fragmentária, onde somos apresentados a cortes secos como matéria-prima para reconstituição do todo.
O que Godard buscava era devolver ao diretor e ao roteirista a condução do filme que, à época, a indústria cinematográfica colocou nas mãos do produtor. É simples de averiguar: antigamente os cartazes traziam em seu cabeçalho a pessoa ou dupla responsável pela produção da obra; agora o espaço é voltado, em parte, ao diretor do filme e, em sua maioria, ao elenco.
Assistir Acossado hoje não traz nem de longe o impacto que deve ter sido vê-lo, no ano de seu lançamento, nos cinemas de Paris. A linguagemtransgressora já nos é acessível mas ainda obscura, afastada do grande público e das redes de cinema.
As tomadas de Michel cambaleando em uma rua da cidade ou ainda a repetição de seu tique nervoso foram depois retratadas em muitos outros filmes como uma espécie de homenagem e reverência. Uma citação sutil àquele que, por restrições orçamentárias, realizou parte dos travellings da película sentado em uma cadeira de rodas.
Posteriormente Godard e Truffaut se desentenderam em um embate intelectual que possui ecos até hoje: Cinema deAutor X Cinema de Personagens. Sem dúvida quem perdeu foi o público, que ficou privado do grande trabalho da dupla.
Em uma das cenas do filme, Patrícia entrevista um importante escritor e lhe pergunta qual é sua maior ambição na vida. Com muita calma, ele diz: “Tornar-me imortal e depois morrer”.
E assim fez-se Godard.
Filme: Acossado (À Bout de Souffle) Diretor: Jean-Luc Godard Elenco: Jean-Paul Belmondo, Jean Seberg, Daniel Boulanger, Jean Pierre Melville, Henri-Jacques Huet Duração: 90 minutos
Para comemorar a retrospectiva de Woody Allen que começa hoje no CCBB São Paulo, a Amiga do Woody irá sortear entre seus leitores um box com quatro filmes do diretor. São eles: Noivo Neurótico, Noiva Nervosa; Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo, Mas Tinha Medo de Perguntar; Manhattan e A Última Noite de Boris Grushenko.
Para participar é simples: é só comentar nesse post que depois farei o sorteio por meio do Random.org. Só vale um comentário por pessoa para que todos tenham chances iguais.
A promoção ficará no ar uma semana e o ganhador será divulgado na próxima terça-feira, 24/11. Não esqueça de registrar seu email para que eu possa entrar em contato com você.
Hollywood tem o hábito de cicatrizar suas feridas históricas por meio do cinema. Com a Guerra no Vietnã não seria diferente. “O Franco-Atirador” (1978) faz parte desse processo de expurgo que contou também com obras de Stanley Kubrick, Oliver Stone, Francis Ford Copolla, entre outros.
Ao contrário da maioria dos filmes sobre o tema, a história com direção de Michael Cimino fala de um grupo de amigos que acredita no confronto como meio de ascensão social. Para isso o diretor fez um recorte sobre a comunidade russa nos Estados Unidos instalada em uma pequena cidade do norte do país e que sobrevive basicamente da atividade metalúrgica.
O grande elenco conta com atuações maravilhosas de Robert De Niro e Meryl Streep, mas Christopher Walken surge das sombras desses dois atores para dominar o filme. É impressionante como ele consegue conduzir a transformação da personagem Nick sem cair na armadilha do dramalhão, tão comum ao cinema em condições propícias a demonstrações de heroísmo e bravura.
O roteiro é baseado em situações-limite atreladas tanto à guerra quanto às consequências do conflito. E sempre com o homem mediano no centro das relações, o que humaniza a história fazendo-a mais verossímil. Talvez por conta desse enfoque falte no filme um posicionamento lúcido sobre o combate, mas que não é imprescindível ao transmitir os horrores da guerra.
“O Franco-Atirador” é um filme honesto sobre fracassos, que tem como pano de fundo o fracasso de um país. Ele faz parte de um grande painel cinematográfico sobre os diferentes pontos de vista envolvendo o Vietnã e seus impactos no imaginário norte-americano.
Filme: O Franco-Atirador (The Deer Hunter) Diretor: Michael Cimino Elenco: Robert De Niro, Christopher Walken, Meryl Streep, John Cazale, John Savage Duração: 182 minutos
Oscar de Melhor Filme (1979)
Oscar de Melhor Diretor (1979)
Oscar de Melhor Ator Coadjuvante para Christopher Walken (1979)
Um time de atores invejável, um diretor meticuloso e um roteiro baseado em uma história real fazem de “Milk” um dos grandes filmes da história do cinema norte-americano. E, segundo a lista do The Times, um dos grandes filmes da década.
Harvey Milk foi o primeiro gayassumido a ocupar um cargo político nos Estados Unidos, em 1977. Ao lutar pelos direitos civis dos homossexuais foi alvo da intolerância da ala conservadora wasp norte-americana e acabou assassinado quase um ano depois de sua eleição.
Sem dúvida, a grande estrela do filme é Sean Penn. O ator há muito deixou de se caracterizar para fazer um papel. Ao invés disso, ele incorpora as personagens e quase sempre nos premia com atuações intuitivas, impecáveis e emocionantes. Outras interpretações de destaque são dos companheiros de Milk interpretados por James Franco e Diego Luna.
A direção de Gus Van Sant é primorosa na reconstituição de época e na condução do roteiro. Por se tratar de uma história verídica, o trabalho tem uma dificuldade adicional: como o desfecho já é conhecido pelo público, cabe ao diretor envolver os espectadores com outros elementos cênicos que compensem essa informação. E, com muita maestria e um roteiro muito bem encaixado, sua narrativa fluisem dificuldades.
O que fica implícito na obra, pela sua excelente repercussão entre crítica e público, é o início da aceitação da temática homossexual em Hollywood. A primeira conquista foi no ano de 2005, com o premiado O Segredo de Brokeback Mountain. Mas, ainda naquele período, o trabalho de Ang Lee sofreu com a resistência de parte dos espectadores ao romance entre cowboys Ennys e Jack.
O sucesso de Milk denota que a história das personagens em si, ficcionais ou reais, está se tornando mais importante do que sua cor de pele, credo ou opção sexual. Essa é a grande vitória do filme: conseguir espaço nos ambientes mais inóspitos usando a arte como veículo para diluir preconceitos e transformar a realidade.
Filme: Milk – A Voz da Igualdade (Milk) Diretor: Gus Van Sant Elenco: Sean Penn, Emile Hirsch, Josh Brolin, Diego Luna, Alison Phil Duração: 128 minutos
Jovem estudante alemão inicia na adolescência um caso de amor com uma ex-oficial da SS. O roteiro é baseado no livro homônimo de Bernhard Schlink.
Por que assistir?
Porque Kate Winslest ganhou pelo trabalho o Oscar de Melhor Atriz; porque o ator David Kross é excelente como o jovem Michael Berg; porque o filme foi a última produção de Anthony Minghella e Sydney Pollack.
Ponto fraco
Apesar das interpretações excelentes o roteiro é batido, baseado em amor, culpa e redenção.
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O Que Você Faria? (2005)
Grupo de executivos se reúne para concorrer a um posto de trabalho em uma grande empresa.
Por que assistir?
Porque os jogos psicológicos a que são submetidos os candidatos são muito interessantes e seguram o espectador.
Ponto fraco
O filme vai bem até os minutos finais. Daí derrapa na curva e decepciona.
Por que assistir?
Para conhecer melhor a história da Irlanda e porque o filme recebeu a Palma de Ouro em Cannes, em 2006.
Ponto fraco
Falta ritmo ao roteiro e simpatia às personagens.
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O Grande Gatsby (1974)
O milionário Jay Gatsby é um homem envolvente e cheio de segredos que inicia amizade com seu modesto vizinho, Nick Carraway. O filme é baseado no romance homônimo de F. Scott Fitzgerald.
Por que assistir?
Porque as interpretações de Mia Farrow e Robert Redford são graciosas.
Ponto fraco
Faltam ao filme as cores do livro.
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Trem da Vida (1998)
Judeus resolvem fugir dos nazistas se passando por oficiais alemães.
Por que assistir?
Porque além de engraçada a trama explora bem as dificuldades das inversões de papéis.
Ponto fraco
Roteiro vai indo bem até que termina numa previsibilidade irritante.
Mais de cem anos depois do nascimento do cinema, quando o público já se tornou íntimo dos diferentes gêneros à disposição, ainda há espaço para criar. E em “Valsa com Bashir” temos a oportunidade de experimentar um novo tipo de filme: o documentário-animação.
A película conta as memórias de um grupo de amigos israelenses enviados à Guerra do Líbanoem 1982. O conflito tinha como objetivo expulsar a presença palestina na região, já que Yasser Arafat tinha instalado suas bases em Beirute. O ponto crítico do confronto, que ainda suscita muitas polêmicas, foi a ajuda de milícias cristãs libanesas pró-Israel que dizimaram refugiados na região de Sabra e Shatila.
O roteiro é baseado na necessidade de partilhar as memórias para construção da realidade da guerra. A busca do personagem principal, Ari (o próprio diretor), tem como foco a costura dos retalhos reais e ficcionais de mais um período triste e turbulento da história desse país.
A animação, por um lado, traz possibilidades infinitas de movimentação de câmera, cores e construção de cenas, dando uma liberdade de criação fantástica ao diretor e ao roteiro. Mesmo com seu desenvolvimento lento e trabalhoso, é um ótimo recurso cinematográfico e possibilita uma visão microscópica da história.
Por outro lado, há um risco de perda nas atuações, porque o gênero despersonifica as personagens ao reduzi-las à imagem da imagem. Daí entra o trabalho (redobrado) dos atores, abusando dos recursos vocais de dramatização para dar forma à interpretação. Este filme em especial, por ser também um documentário, conseguiu mesclar a emoção dos relatos reais com sua espontaneidade e assim transmitiu com sucesso as recordações dos ex-soldados.
O que poderia passar por uma experiência cinematográfica inusitada conseguiu unir o melhor dos dois gêneros: a fidelidade do documentário e o aspecto imaginativo da animação.
Filme: Valsa com Bashir (Waltz with Bashir) Diretor: Ari Folman Elenco: Ron Ben-Yishai, Ronny Dayan, Ari Folman, Dror Harazi, Yehezkel Lazarov Duração: 90 minutos
Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (2009)
Não pisque: Quando um dos soldados conta como escapou dos inimigos pela água.
Veja também:
Zelig (1983)*
Persépolis (2007)
*Zelig é um documentário ficcional realizado pelo meu amigo Woody na década de 1980. Ele conta a história de Leonard Zelig, que sofre psiquicamente da necessidade de se transmutar nas pessoas ao seu redor para ser aceito socialmente.