
Hollywood tem o hábito de cicatrizar suas feridas históricas por meio do cinema. Com a Guerra no Vietnã não seria diferente. “O Franco-Atirador” (1978) faz parte desse processo de expurgo que contou também com obras de Stanley Kubrick, Oliver Stone, Francis Ford Copolla, entre outros.
Ao contrário da maioria dos filmes sobre o tema, a história com direção de Michael Cimino fala de um grupo de amigos que acredita no confronto como meio de ascensão social. Para isso o diretor fez um recorte sobre a comunidade russa nos Estados Unidos instalada em uma pequena cidade do norte do país e que sobrevive basicamente da atividade metalúrgica.
O grande elenco conta com atuações maravilhosas de Robert De Niro e Meryl Streep, mas Christopher Walken surge das sombras desses dois atores para dominar o filme. É impressionante como ele consegue conduzir a transformação da personagem Nick sem cair na armadilha do dramalhão, tão comum ao cinema em condições propícias a demonstrações de heroísmo e bravura.
O roteiro é baseado em situações-limite atreladas tanto à guerra quanto às consequências do conflito. E sempre com o homem mediano no centro das relações, o que humaniza a história fazendo-a mais verossímil. Talvez por conta desse enfoque falte no filme um posicionamento lúcido sobre o combate, mas que não é imprescindível ao transmitir os horrores da guerra.
“O Franco-Atirador” é um filme honesto sobre fracassos, que tem como pano de fundo o fracasso de um país. Ele faz parte de um grande painel cinematográfico sobre os diferentes pontos de vista envolvendo o Vietnã e seus impactos no imaginário norte-americano.
Filme: O Franco-Atirador (The Deer Hunter)
Diretor: Michael Cimino
Elenco: Robert De Niro, Christopher Walken, Meryl Streep, John Cazale, John Savage
Duração: 182 minutos
Oscar de Melhor Filme (1979)
Oscar de Melhor Diretor (1979)
Oscar de Melhor Ator Coadjuvante para Christopher Walken (1979)
Não pisque: Nas cenas de roleta-russa.
Veja também:
Apocalypse Now (1979)
Platoon (1986)
Nascido para Matar (1987)
minha lista de filmes agora cresce na mesma proporção em que cresce a raiva da locadora de bairro.